sábado, 10 de maio de 2014

feliz ano novo das mães

Quando um novo ano se inicia, pessoas costumam listar seus desejos, traçar metas, escrever sonhos. Esse ano eu fiz isso mentalmente. Fiquei de escrever depois, mas quando tenho tempo não lembro. Percebi que em meio aos meus desejos e planos para 2014 existem muitas coisas relacionadas à maternagem. Que mãe eu quero ser para os meninos? Que atitudes preciso ter para permitir que eles alcancem o que existe de melhor neles e no mundo?

O ano das mães começa no segundo domingo de maio e chegando esse dia, quero minhas metas escritas pra que eu não esqueça onde desejo chegar, onde quero que eles cheguem e que família quero construir.


1. Proporcionar uma alimentação mais saudável para a família.

Não costumo cozinhar e nem sei. Algumas vezes me arrisco a fazer algumas receitas e, diz o marido (suspeito), que ficam boas. Entretanto, geralmente, não me preocupo em fazer pratos mais saudáveis e Benício (por enquanto Danilo come separadamente) também come tais pratos. Esse ano pretendo me esforçar para fazer uma boa lista de compras e fiscalizar a feira (quem faz é o marido). Escolher receitas que nos façam bem e praticar. Quanto aos lanches de Bê, tenho diminuído industrializados, mas preciso procurar mais opções!


2. Decorar a casa

Quero decorar a casa, pensando cada cômodo para nós quatro, meio que já faço isso, mas no momento a sala tá vazia e os quartos sem muitos enfeites! Quero deixar tudo com nossa cara, mais aconchegante e divertido. O que isso tem a ver com maternagem??? Uma casa precisa acomodar bem todos os moradores, inclusive (e principalmente) as crianças. Objetos de uso dos pequenos precisam estar a seu alcance para lhes proporcionar autonomia e maiores possibilidades de aprender. Por outro lado, precisamos de segurança e tudo deve ser cuidadosamente pensado. Adoro as ideias montessorianas para decoração da casa, tudo pode ficar lindo, funcional, clean e sem gastar horrores!


3. Menos TV

Houve um tempo em que Benício assistia bastante televisão. Passamos por galinha pintadinha, Patati e Patatá e backardigans, depois veio a fase discovery kids e hoje, conhecendo os malefícios que o uso desse aparelho pode causar às crianças (erotização precoce, exposição a desenhos que ensinam valores inadequados -na minha opinião- dificuldade de concentração, alterações no sono, exposição à publicidade  milhares de etc) tenho reduzido cada dia mais o tempo que ele passa assistindo. Durante a semana, quase sempre, não chega a uma hora e muitos dias nem ligo mais. Alguns podem julgar "já usou pra ele adormecer, pra comer quietinho, pra fazer silêncio e deixar o irmão dormir, e agora quer dar lição de moral!" , Nada disso, colega! Agora que Danilo dorme no braço e tenho que tirar leite enquanto amamento e dou o jantar de Bê "precisaria" mais que nunca, mas optei por não tê-la como babá. Ainda a uso assim, em dias críticos, em momentos de estresse, mas no geral tenho vencido essas "batalhas" de outras maneiras e me sentido muito orgulhosa disso (e ocasionalmente dado uma pressionada para o papai se esforçar mais um pouco).


4. Diminuir os brinquedos

Esse ítem é especialmente difícil, visto que, cada dia que passa as pessoas querem presentear os meninos e eu sinto muita dificuldade em me desfazer dos brinquedos antigos porque Bê tem uma memória ótima e sempre torna a perguntar pelos que doamos ou jogamos fora. Apesar de ter uma quantidade enorme de bonecos, costuma brincar com todos, mas vou pensar e repensar, quebrar a cabeça e dar um jeitinho de diminuir essa bagunça, pois é fácil perceber como são capazes de se divertirem com poucas coisas, principalmente quando não são brinquedos e podem usar livremente a criatividade.


5. Usar a cabeça

Adoro criar e permitir que as crianças criem! Sou meio louca com caixas e costumo guardar as que aparecem até que tenha uma ideia para reutilizá-las para fazer algum brinquedo ou atividade criativa. caixinhas pequenas andam se acumulando dentro dos armários desde que Dan nasceu, pois o tempo ficou curto para executar alguma coisa. Espero que com mais alguns meses (que sejam poucos) eu consiga conciliar minhas ocupações e voltar a ter muitas horas de diversão com Bê (e incluir Danilo também).


6. Dar bons exemplos

Preciso cuidar muito mais de mim, todo dia, toda hora relembrar quem desejo ser e buscar domínio próprio para deixar velhas ações e reações. Sempre tive comigo o desejo de amadurecer, de melhorar quem sou, de agradar a Deus segundo a sua palavra e, como mãe, tenho um motivo a mais para isso! Se me importo com o que as pessoas pensam? Sim! Não para me podar e agradar a todo mundo, mas para que eu seja exemplo e transpareça a mente de Cristo. Ética e caráter não são exclusividade de cristãos, mas como uma, sinto que é minha obrigação revelar em minhas atitudes tais atributos (e muitos outros) de Deus.


7. Cuidado com meu falar

Quero cuidar do meu falar, desde o volume até as palavras escolhidas. Quero falar sempre baixinho e guardar o que os pequenos não devem nem precisam ouvir para mais tarde. Quero que os gritos e expressões grosserias sumam da minha casa e da minha boca! É um exercício diário. A cada vontade de gritar preciso pensar no que aquilo pode proporcionar aos ouvidos inocentes dos meus bebês, a cada reação agressiva, preciso lembrar dos olhos arregalados e assustados que me olham e me conter, pois um pedido de desculpas traz reconciliação, mas aquele medo, aquela mágoa podem demorar a sarar ou se esconderem naquele coraçãozinho doce, o amargando aos poucos.


8. Atividades em família

Preciso arrumar melhor nosso tempo em família. Tem sido difícil com Danilo ainda tão bebê. As refeições são um caos e sei como isso é ruim pra todos nós! Além dos momentos em casa, de querer sentar, ler histórias, ouvir músicas e jogar alguma coisa, quero mais passeios. Não apenas dar um jeitinho pra que caibam as crianças nos programas dos adultos, mas procurar pela cidade programações especiais para eles, nessas sempre nos cabem e o sorriso que eles dão por um passeio bobo na pracinha faz valer a pena.


9. Fazer um culto familiar

Sempre falamos sobre iniciar um culto familiar e nunca conseguimos encaixar nas nossas agendas abarrotadas, mas é algo que não posso deixar pra lá. Ensinamos diariamente a Benício sobre Deus, através de conversas, historinhas, coisas do dia a dia, mas acho importante ter esse momento especial para aprender mais sobre jesus. Se não o fizermos ele continuará aprendendo o caminho, pois acredito que exemplos falam muito mais do que "uma hora didática e instrutiva sobre religião" , mas lembro como eram legais os cultos familiares que meus pais fizeram por um tempo e quero também esse tempo pra nós.


10. Viver cada momento como se não fosse voltar (e não vai):

Quero aproveitar cada segundo com Danilo dormindo no colo. Cada minuto com Benício levantando minha saia, sem reclamar. Mesmo que eu esteja cansada, que a calcinha esteja furada, quero enxergar sempre que amor há nessas manias. Imagina o quanto se ama um colo em que se deseja dormir e quanta segurança há numa saia que timidamente se torce a barra.


Desejo a todas as mamães, um feliz ano novo das mães! Que esse segundo domingo de maio seja para nos parabenizar, para comemorar e nos alegrar pela presença das nossas mães e dos nossos filhos, mas que seja também para refletir sobre que mãe temos sido e como melhorar nossa maternagem!

Boa sorte pra nós!






sexta-feira, 11 de abril de 2014

Quem nasceu primeiro, o peito ou a chupeta?

Em primeiro lugar, quero deixar claro que não tenho nada contra os pais que dão chupeta aos seus filhos. Sou contra A CHUPETA, não contra as mães, nem os bebês que fazem uso da mesma. Agora assumo, não consigo curtir foto de bebê de chupeta nas redes sociais. É mais forte do que eu! 

O possível "lado bom"de usar a chupeta é que ela, supostamente, acalma o bebê, satisfazendo sua necessidade natural de sucção e, provavelemente, o fazendo dormir melhor, permitindo que a mãe descanse. Mas isso não garante que a real necessidade do bebê seja correspondida. Será que ele só quer sugar algo? Será que ele só te quer por causa do peito, mãe? Creio que não! imagina querer um colinho, um aconchego, calor, cheirinho de mainha e receber um "calaabocadeborracha".

A chupeta, assim como a mamadeira, é uma mania social, um engano geral. A impressão que se tem é que os bebês (ou seriam os pais) não podem viver sem ela. Dizer que não usamos chupeta sempre causa espanto e olhares de piedade. Sempre ouço que sou louca ou corajosa, mas apenas tive um pouco de informação e decidi dar ao meu filho o que tenho de melhor. 

Sobre os males que a emborrachada pode causar...

Desmame precoce (esse me dá calafrios), má formação na arcada dentária, prejuízos respiratórios, infecções de ouvido, rinites ou amigdalites, verminoses, candidíase oral etc.

Não vou me desdobrar em explicações de tudo de ruim que bicos artificiais têm a oferecer pra nossos filhos, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) já fez isso aqui e quem sou eu perto deles??? AVISO: Após a leitura você poderá passar a desconfiar que o pediatra do seu filho comprou o diploma (não entendo médicos que não orientam quanto a isso)!

Repetindo, não sou contra os pais que decidem por dar chupeta (e mamadeira) aos filhos, mas afirmo que, para a maioria dos bebês (alguns casos específicos têm necessidade de fazer uso desses objetos) é desnecessário. Cabe aos responsáveis observarem se a necessidade do cuidador supera todos esses riscos.

Por favor, por favor, não pense, nem diga "eu chupei chupeta e não tive nada disso!" ou "meu filho chupou e não morreu!" Acho mesmo que não vale arriscar!

Por fim, declaro minha insatisfação com a expressão "está te fazendo de chupeta", afinal, um bebê mamífero de qualquer espécie nasce sabendo mamar e sequer saberá o que é uma chupeta a menos que lhe deem uma. Se meu filho passa o dia pendurado em mim, mama sem parar e não me deixa dormir, fazer cocô ou comer, ele está me fazendo (apenas) de mãe!

terça-feira, 1 de abril de 2014

um buraco no coração e outro no bolso

É isso que me deixou o fim da licença maternidade. Quem dera poder ficar mais um pouco integralmente com meu bebê. Poder botá-lo para dormir e amamentar em livre demanda por mais tempo. Descansar das noites mal dormidas. almoçar mastigando bem a comida, sem medo de ser feliz  perder o ônibus e acabar me atrasando.

O primeiro e maior rombo que fica, quando temos que deixar nosso bebê para trabalhar sem que estejamos preparados pra essa separação (acho que nunca estaria) é, sem dúvida, no coração! Por mais que confiemos em quem vai cuidar, por mais que ele não demonstre sofrimento, dá uma dor tão grande. Uma saudadona horrorosa. Mesmo pra mim, que trabalho meio expediente.

Nessa ondinha, perdi uns 2kg em um mês e umas 4 peças de roupa. não dá pra comer um prato de comida normal se você tem que alimentar e arrumar dois filhos sozinha e sair na hora certa. Pra que os imprevistos não atrapalhem a programação há de se antecipar em uns 30 min na arrumação e daí que não tem me restado apetite pra almoçar.

Engulo correndo, tentando não apressar Benício, para que ele coma alguma coisa e tome banho tranquilamente. tomo banho com um olho no peixe (Bê) e o outro no gato (Dan) e, as vezes, visto a roupa em meio a resmungos e lágrimas do baby que prevê minha partida.

Dar aulas enquanto seu seio goteja  leitinho e seu filho em casa toma leite descongelado, no copinho, não é legal, mas graças a Deus que não é o dia todo e que tive o privilégio (nem tanto, nem tanto) de ter uma licença de seis meses.

Chorei, estressei, reclamei, sonhei que ganhava na loteria e não precisava mais trabalhar  , mas não teve jeito. A licença acabou, "e agora, José?"

O que fazer com Danilo? (Benício estuda no horário em que trabalho). Possibilidades:

1. deixar com a sogra
2. berçário
3. babá

A sogra desistiu aos 45 do segundo tempo. Teve seus motivos os quais compreendo e respeito. Juntas visitamos um berçário e quando eu estava quase fazendo a matrícula, por falta de opção, a tia do esposo aceitou o convite que havia feito de cuidar dele (sendo devidamente paga) lá em casa! ufa!

Esse foi rombo no orçamento. Pagar um berçário ou uma pessoa de confiança pra ficar de babá, dificilmente sai barato. Pra muitas pessoas vale mais a pena largar o emprego, felizmente/infelizmente (tem  lado positivo e negativo nisso), não é meu caso. E eis-me aqui:

Laís, mãe-professora, um tanto mais lisa e de coração partido, em fase de adaptação.

(vou acabar por aqui pra ninguém desistir de ler na metade, mas prometo -desejo, de coração, conseguir- escrever mais sobre o assunto!)


sexta-feira, 28 de março de 2014

O pior filho do mundo

O QUE É QUE HÁ DE ERRADO COM ESSE BEBÊ????

Chega a esse mundo Danilo, um bebê grudinho, que adora colo e chamego. Não, não dorme a noite toda, mama. 

não sei qual é a das pessoas quando vêm com perguntas e observações do tipo:

"Ele é bonzinho, dorme a noite toda?"

O que eu deveria responder???

"Não. Nunca vi bebê mais ruinzinho! Não dorme nada e só quer viver no colo!"

"Meu filho não dá trabalho, é um anjo!"

(acaso o meu, que dá trabalho pra caramba, é um demônio?)

Todo mundo sabe que bebês são diferentes uns dos outros, mas muitos esquecem isso e insistem em achar que precisam ser independentes, conhecer o seu lugar, dormir sozinho e não nos dar trabalho! Ora, ora, como poderiam ser assim tão bem programados?

Benício veio mesmo pra me enganar! Dormia que era uma beleza e eu jurando que todos seriam assim!
Aí chega Dan. O bebê que dorme no colo (de dia). Não acredita, venha aqui e tente colocá-lo no berço, cama, rede ou seja lá onde for! 

"Você o acostumou mal!"

Se dar o colo que meu filho precisa, o aconchego que necessita e fazer o possível para que ele descanse é acostumar mal, então acostumei mesmo e pretendo fazer por muitos anos!

temos que lembrar que somos deles mais que eles são nossos. Os temos porque quisemos ou permitimos que assim fosse, já eles não escolheram, então agora é enfrentar a trabalheira e canseira e fazer nosso melhor!

Recentemente li um texto do dr.Dr. William Sears que denomina bebês como ele de "high need". Bebês de alta necessidade, que normalmente possuem as seguintes características: choram impressionantemente alto, são inconsoláveis, hipersensíveis, alertas, intensos e exaustivos

Achei uma definição pra Dan. E já percebo, agora que ele tem oito meses completos, que essas características vão se atenuando, acredito eu, que atendê-lo sempre, o mais rápido possível, ajudou e muito!

Se eu tenho o pior filho do mundo? Depende do que é ruim pra você! Meu Dan me quer mais que tudo, e parece que será muito carinhoso e simpático. Chora pouco e se desenvolve muito bem. Eu? voltei ao trabalho e estou acabada de sono e cansaço. Não vou desmamar, nem a noite. Não vou deixar chorar e com muito orgulho e convicção de estar fazendo o melhor: compartilho a cama!






Poeminha pra Dan

Todo  gostosinho
Da cabeça aos pés
Pra manter suas dobrinhas
Durmo de top less

De repente 4

Hoje, 25 de março de 2014, o jornal Desplanos conseguiu uma entrevista exclusiva com ele, o cara que, como diz o significado do seu nome, está sempre bem!

Cheio de personalidade, poder de argumentação, criatividade, determinação e manha, ele é lindo, carinhoso, engraçado e um tanto impulsivo!

Conheçam as preferências do aniversariante do dia: Benício Dias, a quem preferir, Bê.

Qual a cor que você acha mais bonita?

Bê: Verde...azul...(olhando para os dinossauros no chão) VERMELHO!!!!!

Qual o brinquedo que você mais gosta?

Bê: dinossauros!!! (pausa pensativa) eu gosto do Max Still.

Qual seu maior amigo da escola?

Bê: Noah

E da igreja, com quem você mais gosta de brincar?

Bê: Geraldo Neto.

E da igreja Mirr, tem algum?

Bê: Pepê (felipe)

Percebemos que você se relaciona muito bem com pessoas de todas as idade, você tem algum amigo adulto?

Bê: ninguém

Gosta de algum amigo da sua mamãe ou papai?

Bê: Dedê (morra, Daine Wood)

Dizem por aí que você sempre foi comilão. Qual sua comida favorita?

Feijão!

Temos informações de fontes seguras que você anda deixando o feijão do almoço todo. Tem certeza que é a comida que mais gosta?

Bê: (desconfiado) aaaaa...batata frita!

E fruta, qual você prefere?

Bê: maçã!

Que séries você tem acompanhado?

Bê: Peppa Pig, Doozers...

Na sua opinião, qual o maior time de futebol do mundo?

Bê: São Paulo!

Que música mais gosta de ouvir?

Bê: (dançando) "seu lobato tinha um sítio iaiaô..."

Ainda sobre arte e entretenimento, que historinha gosta de ouvir na hora de dormir?

Bê: Chapeuzinho Vermelho!

Pra finalizar, onde você gostaria de comemorar seu aniversário?

Bê: Na ilha dos dinossauros!!!

Laís Dias, para o jornal Desplanos

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Dos filhos sem mãe

As vezes eu paro e tento acreditar, embora não queira, que você não está mais entre nós. Sim, Matheus, eu prefiro os eufemismos, eu não quero nunca dizer com todas as letras. Eu sei que você se foi e pra não voltar. Sei que não vai aparecer aqui e pedir um biscoito, que não vai fugir do abrigo e querer se refugiar em minha casa, fazer xixi e não dar a descarga, tomar banho e não enxugar o banheiro, nem as pernas.

Tantas vezes me tirou do sério com suas brincadeiras infantis e eu me segurando pra não dar um cascudo. Quantas vezes tive medo de deixar você dormir lá em casa, medo das suas más companhias, não foi por mal, Matheus, eu só queria proteger meu filho.

Meu filho gostava de você e ainda lembra, o que me faz chorar. Eu também te amava, te amo, sei lá! E penso que Jesus não protegeu seu filho, por amor a um mundo inteiro de pecadores!

Aqui tem uma toalha que você deu a Thiago no dia dos pais. Eu sei que você o amava e ele a você. Você era impossível, trabalhoso, respondão. Você gostava de Benício dançando a música do tomatinho vermelho e eu sempre me lembrarei dos 500 vídeos que gravou no meu celular cantando "Eu não sou nada sem Ti, eu não vivo, sem Ti, sem tua presença eu morro"

A última vez que te vi, estava tão alto, com um vozerão. Estava crescendo e sei que já tinha botado uns filhos no mundo. Filhos que crescerão sem pai e que possivelmente cresceriam assim mesmo, mesmo que você tivesse aqui.

Se a maioridade penal fosse reduzida, tudo poderia ser diferente. Não quer dizer que concordo com a redução, mas você poderia estar vivo e preso, ou talvez não tivesse se metido a besta e estivesse no milionésimo abrigo para menores da cidade. Eu sei que você não escolheu ser pobre, que não escolheu nascer na favela, comunidade, como queiram chamar. Muito menos quis voltar pra casa um dia e ver que sua mãe tinha vendido o barraco e ido embora sem avisar!

Por falar em sua mãe, a conheci um dia. Eu estava comendo numa pizzaria e ela chegou com a sua reca de irmãos, drogada e grávida! Ela não escolheu ser pobre, ela não escolheu nascer na favela.

Muitos podem dizer que você teve todas as oportunidades pra mudar de vida. Eu poderia dizer isso, porque vi meu marido sair a noite e procurar abrigo pra você. Vi ele conversar muitas e muitas vezes e vi suas promessas de mudança. Eu prefiro dizer que acreditei e acredito que você tentou.

Não sei, nunca saberei se fiz tudo que pude. Acho que não. Não te abracei o quanto poderia, não disse que te amava. mas é tarde.

Fico aqui com essa sensação de que qualquer dia os meninos dirão "foi um engano" ou que eu vou ouvir sua voz irritante dizer "Lora, Thiaguim tá aí?"! Eu desceria as escadas correndo, você estaria de bigode e eu te daria um longo abraço como nunca te dei, como nunca darei.

Por fim, sei que você não vai ler isso, mas espero que qualquer que leia pense em todos os filhos sem mãe. Sem mãe, sem pai e sem pão!

A vida é feita de escolhas? Sim! Mas não sabemos aonde nossas escolhas podem nos levar,  nem temos todos as mesma opções...